sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

NOSOTROS 2010 - SUSANA BALBO WINES

 NÉCTAR  



É o vinho ícone da Susana Balbo, custoso e por conseguinte com altas expetativas criadas.
Comprei ele há alguns anos, e tive a paciência necessária para abri-lo no momento que acreditei que estaria no seu ponto...felizmente não errei e a espera e a ansiedade foram amplamente recompensadas.
Os 18 messes em barricas de primeiro uso convidavam a pensar que a evolução em garrafa seria importante, e aberto agora em Novembro mostrou todo seu potencial: o passo por barricas dando estrutura mas não se apoderando do vinho, redondo, " gordito", suculento com um final  de boca que um vinho deste naipe devia ter.
Algo floral em nariz, em boca é doce e de taninos domesticados.
Um vinho que joga nestas ligas deve entregar muito pelo preço que custa, e com este Nosotros você sente que o dinheiro investido foi devolvido.

Um vinho que pelo que contam mudou e muito nas safras seguintes, mudou de terroir, o vinho se produz com uvas de outras regiões e aparentemente mudou o conceito na forma de faze~lo.
Estaremos atentos e juntando moedinhas para poder experimentar outro Nosotros de safras mais novas.



terça-feira, 23 de outubro de 2018

DICAS DE VIAGENS - TRAZER VINHOS AO BRASIL






Os preços dos vinhos aqui no brasil são ridículos: importadores com margens absurdas, empresários sem escrúpulos, grandes lojas de vinhos em bairros de alto padrão que nós, consumidores, acabamos pagando um valor a mais pois só incrementam o valor da garrafa.


 Por tudo o antes apontado, a diferença entre trazer um vinho de fora quando se tem a oportunidade de viajar ou compra -lo aqui é gigantesca, ridícula, grotesca e indignante.

Só por botar um exemplo, crianças espanholes que se mexem lá na faixa dos 7/12 Euros (equivalentes a 30/50 reais) são vendidos aqui na faixa dos 130/190 reais no melhor dos casos, e considere que o preço de venda que você vê numa loja não é nem por acaso o que paga quem importa diretamente da vinícola .

Nos vinhos argentinos, onde o Mercosul diminui e muito a quantidade de impostos, as diferenças em vinhos de media/alta gama são parecidas.


 Quantidae Permitida :
As leis brasileiras permitem o ingresso de até 12 litros por pessoa, o equivalente a 15 garrafas, que não pagarão imposto desde que o valor delas não ultrapasse os 500 dólares (uns 1.850 reais hoje).
A conta é simples, a media dessa compra dá uns 123 reais por garrafa, o que da e com folga para trazer bons e grandes vinhos de Sul América ou da Europa incluso SEM TER QUE PAGAR IMPOSTO algum aqui no Brasil.

 Peso da Bagagem :
Outro detalhe importante a considerar é o peso da bagagem...neste sentido é bom saber que uma caixa de papelão com 6 vinhos pesa em media uns 9 quilos; Consequentemente os 15 vinhos a trazer pesarão em media uns 20/22 quilos.


Se a viagem é dentro do Mercosul a países produtores de vinho (Argentina/Chile) é bom pegar aquelas linhas aéreas que usam o trecho entre Brasil e esse pais como escala, como trecho dum destino final mais afastado, pois as regras dos viajes intercontinentais dobra o peso e o volumem a poder ser transportado como franquia.

  



Na Argentina, com o cambio favorável para o brasileiro hoje (10 a 1 quase), existem grandes vinhos  em todas as faixas de preços, desde os 20/50 (200/500 pesos) até os 200/250 reais, pelo que da para trazer muito e bom, até atingir o limite de ingresso isento de taxa.

Importante pedir a nota fiscal na loja onde o vinho é comprado, e por duas razoes diferentes: em primeiro lugar servira para demostrar que o total comprado no excede os 500 dólares, mas também porque com a nota fiscal e o pedido de tax free na loja, no aeroporto sera devolvido por volta dum 15% del total da compra no caso da Argentina.
Se você é um enófilo talvez seja hoje o melhor momento para visitar a Argentina e se trazer umas boas caixas, a viagem acabara saindo de graça.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Os Brancos de MATIAS MICHELINI

  IRREVERENTES  


A família Michelini revolucionou na ultima década a industria vitivinícola na Argentina, se identificando com o terroir como condição inegociável na hora de fazer vinho, usando menos madeira e mais cemento...escrevi já uma nota sobre eles aqui: aqui:  http://enogastrogringo.blogspot.com.br/2016/03/michelini-bro-zorzal-wines.html

Estes irmãos agora  tem projetos conjuntos, próprios, assessoram a outas vinícolas, de fato fica difícil seguir o trem deles pela quantidade de projetos nos quais estão envolvidos e a quantidade de rótulos de cada um deles.
Matías, que foi enólogo de grandes vinícolas em seus inícios (Luigi Bosca, Doña Paula, Finca Sophenia), mas que desde o 2009 decidiu ter a "liberdade" de fazer vinhos do jeito que ele quer, respeitando o terroir, mas não seguindo as tendencias do mercado, as que estava "obrigado" trabalhando em grandes bodegas.

Nesta matéria falaremos dalguns brancos dele, todos muito particulares e não todos para qualquer paladar.

 MONTESCO VERDES COBARDES 2014 


Blend de Sauvignon Blanc, Semillón, Chardonnay e Viognier, todas colhidas de forma anticepadamente.
O nome do vinho é significativo, foi o que Matías ouviu muitas vezes de outros enólogos em referencia a colher cedo, a ser covarde por medo a que no ultimo ciclo da uva qualquer fator climatológico  estrague ela... mas não era por conservadorismo, ele queria pegar a uva nesse momento para conseguir vinhos mais frescos, e este é um grande exponente da frescura e da expressão de Gualtallary, em Mendoza.
Mineral, fresco, facilmente bebível , relação preço qualidade alta...na faixa dos 40 reais lá na Argentina.


 VIA REVOLUCIONARIA SEMILLON HULK 2016 

Engarrafado sem filtrar e 100 % semillón. 
Reconheço a minha inexperiência com esta uva, mas foi o que menos gostei dos trés: a mineralidade e a acidez tomaram conta da primeira taça, e da segunda e da seguinte, e não acabei desfrutando dele.


 JI JI JI CHENIN BLANC 2016 
 

Vinho irreverente dum cara irreverente. irreverente desde o nome, desde o rótulo e desde o próprio vinho. .selvagemente cítrico.
Notas de limão siciliano, pera , maçã verde, grapefruit aparecem mas, a diferencia do Hulk, com uma acidez notável.
Não me apaixonei por ele, mas é um Vinho fresco, de produção limitada.sem passo por carvalho, bem mineral e algo salino.



 @MICHELINIWINE GUALTALLARY BIANCO 2009 

Poucos brancos tinham me voado a cabeça nos últimos anos, e este é um deles.
Aqui Matías (e acho que Juan Pablo Michelini também) fizeram este fantástico blend de Sauvignon Blanc, Torrontes e Semillón, com uma importante guarda e somente engarrafado em 2015 para a sua saída ao mercad.Vinho de partida limitadíssima cujo resultado foi um branco equilibradíssimo, complexo, mineral, fresco e com muita flor...Vinho surpreendente! A safra 2009 esta esgotada, mas já existem no mercado saras novas e vinhos de parcelas de este incrível @. 

terça-feira, 17 de abril de 2018

VINHOS - BUENOS AIRES

 JA- Lo de Joaquin Alberdi

VAI JÁ ! 



Argentina é um dos maiores produtores mundiais de vinhos, e quem visita a sua capital Buenos Aires acostuma se render a este néctar, degustando, catando, acompanhando comidas e naturalmente comprando.

O universo de opções na cidade é grande, mas existe um lugar no coração do Palermo Soho, um multi espaço que reúne muitas das qualidades que um interessado em vinhos pode esperar: profissionalismo, paixão, variedade em todas as gamas de preços, e principalmente serviço...esse lugar é  JA, as iniciais dum cara que manja e muito de vinhos: Joaquin Alberdi.
Aqui se pode comprar, degustar vinho por taça ou catar, e bem vale a pena te-lo como referencia na sua próxima visita a Buenos Aires.

Vivenciei duas experiencias altamente satisfatórias, uma entrando na loja por curiosidade e um wine tasting que eles oferecem diariamente as 17hs.

A primeira foi extraordinária, assim que entrei na loja e falei que queria cumprimentar ao Joaquin apareceu ele me perguntando "o que você quer beber?"
Gesto simples, de como uma loja que vende vinhos deveria tratar a seus clientes, sempre....chapeau!

A casa oferece rótulos que não são fáceis de achar, alem dos tradicionais, e pelo que vi só vinhos bons, tanto na faixa dois mais em conta (30 reais) como aqueles de ultra alta gama (de 300). 
A casa vive de venda de vinhos e eventos claro, mas não tentam te vender gato por lebre por causa disso...é bom se deixar levar pelas dicas de Joaquín ou dos seus funcionários, para eles entenderem o teu gosto e te poder assessorar na faixa de preços que se quer gastar.


Na segunda experiencia, o wine tasting é interessante para quem quer ter um aprendizado sobre os vinhos das diferentes regiões do pais, entendendo a diversidade de terroirs que na Argentina existe e a variedade de uvas, pois Argentina não é só Malbec.
A experiencia não é barata, na faixa dos 50 dólares por barba, mas não é custosa considerando a qualidade e o preço das garrafas que são abertas, todas de alta gama.


Na minha visita começamos com um espumante de boas vindas, o Alyda de Bodegas Salentein.


Continuamos com um branco da uva torrontés, que pela tipicidade se da e muto bem no norte do pais, em Salta muito especificamente e em Cafayate.
O Domingo Molina 2017 é um grande exponente do que esta uva é capaz de oferecer: nariz aromática e super convidativa, em boca entra suculento, fresco, com um final algo amargo (tipico da uva) mas persistente.




Seguimos com dois Malbecs, de duas regiões diferentes, para mostrar como uma mesma uva pode se comportar tão diferentemente em função do terroir.
O primeiro foi um malbec patagónico, o J.Alberto de Bodegas Noemía, bem mais fresco e o Gran Malbec De Angeles (de Mendoza) também a safra 2014, bem mais frutado e voluptuoso, elegante, dum equilíbrio assombroso....um vinhaço com todas as letras e com grande poder de evolução ainda.
Vinhos que estão na faixa dos 40/50 dólares.


Mesma uva , mas a cor que desenvolve em duas regiões completamente diferentes dentro da Argentina é claramente mais intensa em Mendoza.
Para o meu gosto ganhou disparado o Ángeles mas houve vários votos para o patagônico também.





Seguimos com um dos melhores Syrah que se fazem na Argentina, na província de San Juan, o Grand Syrah de Finca Las Moras, um blend de syrah de três microregiôes diferentes da província, de três altitudes diferentes também.
18 Messes em barrica e uma safra 2014 com alto poder de evolução.
Um syrah de estrutura notável, de cor vibrante e em boca untuoso, achocolatado, taninos amáveis e grande corpo.Final persistente pedindo mais




O grande finale chegou com este Yacuil, saltenho, da fusão de dois bodegas para fazer este vinho: a Yacochuya e a Tacuil...daí esse nome esquisito.

Vinho de produção limitada e que na Argentina custa acima de 300 reais...o vinho é um vinhaço, com um potencial impressionante, mas talvez não tivesse sido a minha escolha, ou tivesse aberto ele antes da cata, porque é um vinho que precisa respirar para apreciar as suas bondades, e as sensações de bebe-lo assim que aberto não permitiram ao vinho se luzir como deveria.








A cata é concluída com uma gostosa tabua de frios

Em definitiva, JA é um multi espaço que todo enófilo que viaja a Buenos Aires deveria visitar, pela profissionalidade do seus atendentes, pela variedade e quantidade de vinhos mas principalmente pela receptividade, de entender de como uma loja de vinhos deve funcionar.
Passei por outras (Vico, La Malbequería), com a mesma intenção de conhece -las e eventualmente fazer uma matéria, mas nem a atenção nem a recpetividade foram as mesmas. 

Lo de Joaquín Alberdi - JA
Jorge Luis Borges 1772 - Palermo Soho
Buenos Aires


terça-feira, 20 de março de 2018

VIÑA ARANA RESERVA 2009

 SUTILEZA ENGARRAFADA 






Uma das minhas vinícolas preferidas em Rioja; 
Hoje analisamos em detalhe o Viña Arana Reserva 2009.
Vinícola que já visitei em loco no bairro da estação em Haro , onde confluem as vinícolas mais históricas da famosa região. 
Comprei e trouxe para degustar taça a taça um dos vinhos que tão gratamente tinham me surpreendido na degustação na bodega.
Vinho com 36 messes em barrica e dois anos engarrafas, antes de sair a venda. 95% Tempranillo e um toque de Mazuelo.
Nariz especiada, menos intensa que no dia da cata, mas delicada e convidativa.
Em boca servido na temperatura apropriada (a minha primeira taça estava algo fria)se mostra amplo e guloso, aveludado, quase uma calda...taninos domesticados; frutado, com um final persistente e delicado.
Surpreendentemente um vinho deste naipe custe lá uns 15 Euros., claramente dum excelente RPQ.
Um vinho leve, elegante quase que flutua em boca, com uma acidez equilibradíssima.
Da para pedir algo a mais pelos 15/17 Euros que custa lá?Vinhaço para aqueles que gostam da sutileza num vinho.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

GRAN RESERVA 904 - 2007 - LA RIOJA ALTA

 ÉPICO 




Uma das vinícolas mas prestigiosas da Espanha. com alguns vinhos,como este, que são ícones no mundo todo; 90% Tempranillo e 10% Graciano para um vinho de sonho.

Fazendo um pouco de história, 1904 foi o ano da fusão de duas vinícolas: La Rioja Alta e Bodega Ardanza, de Alfredo Ardanza, que também era um dos fundadores de Rioja Alta; O número no vinho representa aquela união, só tirou o 1 na frente (ao igual que o ícone 890) para não confundir aos compradores entre safra e nome do vinho.

O 904 é um vinho delicado, fino sutil, elegante, equilibrado mas complexo... aveludado e de fruta intensa (mas em boca que em nariz, cereja, ameixa principalmente), 
Aqueles riojanos que pela densidade na cor e pelos aromas que solta na primeira e segunda nariz dão a entender logo de cara que é um vinho para desfrutar aos poucos e ao meu ver sem comida, sem harmonizar nada. 

A safra 2007, cujo coupage foi engarrafado em 2012, ficou outros 4 anos em garrafa antes de sair ao mercado em 2016.
Vinho que mesmo com alto potencial de guarda, já oferece tudo o que promete agora. pois em definitiva esse é o espirito da bodega, de colocar no mercado um produto que mesmo com poder de evolução e guarda, esta pronto para expressar as suas raízes.
A evolução inicial do vinho então  se produz na vinícola, no envelhecimento em barricas e garrafa, de 8 anos no total neste caso. 
O potencial de guarda da um plus para quem sabe e pode esperar, pois tem carretel para 10 a 15 anos mais.
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Um vinho que todo apreciador deveria beber ao menos uma vez na vida.
Todos os quesitos dum grande vinho estão aqui: aveludado, taninos amáveis,estrutura e corpo,carvalho integrado, super equilibrado.
Vinho Gigante, na faixa dos 40/50 Euros lá. 



Tive a sorte de aprecia-lo em loco, na própria vinícola na nossa visita em maio, e trouxe algumas garrafas para seguir a evolução nos próximos anos

É um vinho custoso mas não caro, considerando o leque de sensações que ele entrega taça a taça...saúde !

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

CATALPA CHARDONNAY 2016

EXCELENTE RPQ


Conheço a vinícola e sou fá dalguns vinhos que ali se produzem...e este Catalpa Chardonnay é um deles.
Tem safras memoráveis, outras nem tanto, mas sempre mantem uma base, um cuidado para que o produto final oferecido seja de alta qualidade.
50% do vinho é barricado em carvalho em quanto o outro 50 em inox durante dez a doce messes, na finca que a vinícola possui em San José, Tupungato a 1.300 metros de altura e que amplamente recomendo visitar.
De fato eu passei por la ao final de 2016 e publiquei esta matéria: http://enogastrogringo.blogspot.com.br/2017/04/bodegas-atamisque.html

Este 2016 ainda é novo, acabou de sair ao mercado e naturalmente tem um bom potencial para evoluir em  garrafa ainda, mas como comprei quase duas caixas, decidi abrir um agora e estas foram as minhas sensações. 
Primeira nariz austera, com a devida oxigenação solta nítida fruta branca, algo cítrico.
Em boca se mostra convidativo, só sustentado pelo passo em barricas, o carvalho não é nem um pouco protagonista, deixando a fruta levar os flashes; a metade do vinho só passou por inox, dando frescura.
Mineral, fácil de beber, entrega sutis diferencias entre taça e taça.
Mesmo a vinícola sugerindo que o  potencial de guarda é de 5 anos, eu acho que estará no seu ponto máximo de evolução e crescimento daqui a um ano, máximo um ano e meio

Vale a pena aproveitar a promoção da sua importadora aqui em São Paulo, que o vende por atrativos 59 Reais.